Duas escolas diferentes

30/Outubro/2006

Na maioria absoluta das publicações sobre a escola pública, as dificuldades aventadas pelos críticos são específicas dos problemas crônicos do antigo ginásio, que permacem no ensino fundamental, a partir da 5ª série.

A alta mobilidade dos professores, o excessivo número de classes e de alunos diferentes, a desvinculação do professor da escola, além de outros problemas referentes aos currículos e elementos burocráticos, inviabilizam um adequado acompanhamento dos alunos.

Embora haja muita pressão para ser evitada, a reprovação ainda atinge significativas porcentagens, principalmente porque a introdução em um sistema completamente diferente, fundamentado em dados colhidos nas mazelas do antigo ensino secundário e imposto de maneira abrupta, dificulta a adaptação do aluno. Isto ficou deveras expresso, num artigo da ex-secretária da Educação do Estado, Rose Neubauer, (publicado na “Folha de São Paulo” em 07/10/2000), no qual ela afirma que “o bom professor, pasme, era aquele que reprovava muitos alunos. O saber era propriedade de uma elite. O caminho para atingi-lo era o mais inóspito possível”.

Todavia, colocar o antigo ensino primário paulista na mesma situação é, no mínimo, ignorância ou desprezo pela história de uma instituição, na qual o status da professora era medido, justamente, pelo número de alunos aprovados.

Além do mais, falar que o saber era propriedade de uma elite, no ensino primário, é também ignorar que as crianças, moradoras das atuais favelas das grandes cidades, eram os alunos que aprendiam a ler e escrever, em Grupos Escolares e Escolas Isoladas instalados na zona rural, graças aos esforços de professores que tinham a coragem de enfrentar as condições desfavoráveis, da época.

É lamentável que uma Secretária de Educação ignore um recente passado que poderia ser descoberto com a simples leitura de um dos livros do prof. J.M.Azanha (aliás, citado por ela), testemunha e participante dessa realidade, quando a administração Ulhoa Cintra tentou alterar as normas do ensino secundário, onde o saber, na época, era, sim, propriedade de uma elite.

“A resistência, escreve o prof. Azanha, do magistério secundário foi de tal ordem que obrigou a administração a uma providência radical, na época extremamente combatida, de responsabilizar o professor pela reprovação do aluno – UMA COISA BANAL QUE, NA ESCOLA PRIMÁRIA, SEMPRE HAVIA SIDO FEITA” . Outra medida também radical, na época, “foi atribuir pontos por alunos aprovados, que pesavam na futura escolha de aulas pelo professor. ISSO SEMPRE OCORREU NO ENSINO PRIMÁRIO. Não era medida inédita no Estado de S. Paulo, ERA INÉDITA NO ENSINO SECUNDÁRIO”.

Na verdade, é necessário haver maiores cuidados na seleção e interpretação de resultados de estudos realizados no Ensino Fundamental, porquanto é, com certeza, inadequado confundir ou igualar o ensino realizado nas primeiras séries, com o ensino realizado nas séries finais. Haja vista que o próprio MEC, em suas avaliações, faz essa distinção corretamente.

Além do mais, o que levou a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo a separar as escolas de 1º grau, reunidas por determinação da reforma do ensino que instituiu a escola de oito anos, mostra muito bem que é preciso aceitar, de uma vez por todas que, embora estejam novamente, teórica e legalmente, unidas pela atual LDB, há dois sistemas diferentes, em duas escolas distintas, dentro do Ensino Fundamental.


Cooperação e competição

20/Outubro/2006

O comportamento cooperativo constitui um traço vivo em qualquer sociedade. Porém, embora contribua para atividades de grupo bem sucedidas, a cooperação é um aspecto negligenciado, pressionado pelas características competitivas, dominantes em nosso sistema sócio-econômico. Leia o resto deste post »


O especialista

18/Outubro/2006

O tema sobre a existência, no ambiente escolar,de uma cultura característica, enfatizada por sua típica realidade, ainda não foi estudado convenientemente. Nossos especialistas, com as vistas sempre voltadas para teorias exóticas, primam pelo desconhecimento das experiências que se desenvolvem no âmbito das escolas, com suas especificidades e características próprias. Leia o resto deste post »


Roda viva

15/Outubro/2006

Dois fenômenos, enraigados em nossas administrações, se arrastam historicamente, dificultando não só soluções, mas até definição e análise dos fatos. Leia o resto deste post »