É evidente que a escola pode e deve melhorar, inclusive caminhando para se tornar mais agradável. Mas isso não quer dizer que se transforme em um ambiente divertido, isento de atividades desinteressantes, pois, um dos propósitos fundamentais da educação é justamente ensinar que o mundo não é um imenso parque de diversões e que, nele, existem obrigações que devem ser cumpridas.
Uma escola totalmente prazerosa falharia nessa meta fundamental da socialização. Ainda que possa e deva ser agradável, a escola, mesmo na expectativa do aluno de de sua familia, é um lugar de estudo, onde se desenvolve um trabalho sério que depende da vontade e do esforço par enfrentar inúmeras situações desagradáveis e variadas atividades desinteressantes.
Embora a criança não seja passiva no processo de socialização, são os adultos que estabelecem as regras do jogo, em todas as formas de relacionamento. Gostem ou não, as crianças vão à escola para estudar e não para se divertir.
Na idade escolar, o sistema de relações vitais da criança se reorganiza. O essencial, escreve A. Leontiev, não é o fato de ser obrigado a fazer qualquer coisa, pois já tinha obrigações antes de entrar para a escola. Pois, “doravante as suas obrigações não são apenas para com os pais e o educador; são objetivamente obrigações relativas à sociedade”.
Embora possa haver um período de transição para efeito de adaptação, com toda certeza, deve haver uma distinção muito clara entre atividades lúdicas e atividades sérias. Esta confusão, propositada ou não, pode estar proporcionando sérios problemas na prática da sala de aula. A assimilação espontânea de conhecimentos não voluntários, própria da idade pré-escolar, trasforma-se, nas crianças em idade escolar, com variadas formas nem sempre agradáveis, em atividade educativa intencional.