As críticas generalizam uma “escola tradicional”, descrevendo-a como centrada em um professor cuja aula se caracteriza pelo “verbalismo” e “imposição de sua autoridade”.
Essas pretensas descrições da escola e das práticas tradicionais apresentam, na verdade, uma caricatura das instituições escolares. Elas são incapazes de distinguir entre os inúmeros e diferentes recursos de que os professores, em sua ação concreta, lançam mão para expor, explicar, corrigir ou atribuir tarefas, ao ensinar seus alunos.
É pouco provável que as práticas desses professores, ditos tradicionais, ao ensinar resolução de problemas matemáticos, regras de ortografia ou informações históricas, sejam sempre as mesmas e que a compreensão de seus atos e recursos possa ser lograda pela simples referência a conceitos vagos, como um tretenso verbalismo conjugado à autoridade de sua palavra.
Ao dar uma aula, mesmo que predominantemente expositiva, escreve J.S.F.Carvalho, um professor faz muito mais do que transmitir informações. “Ele demonstra os procedimentos utilizados ao resolver um problema, enfatizando com gestos, com a voz, com a escrita, aspectos e raciocínios considerados relevantes. Corrige procedimentos ou informações equivocadas. Chama a atenção por meio de atos ou palavaras, adverte para certas armadilhas ou erros comuns. Além de ensinar a matéria, pois,transmite à criança valores, modos de interpretar fatos sociais e estereótipos de comportamento, de acordo com as formas de sua cultura”.