Uma escola de elite

A confusão teórica focada na crítica à reforma Capanema que colocava o Grupo Escolar como a escola centrada na disciplina, nos exames, nas provas, nas sabatinas etc, excluindo as camadas populares, consiste especificamente numa clara alusão ao Ginásio e não ao Grupo Escolar que abrigava o antigo ensino primário.

Tal confusão, aliás, é característica de todos aqueles que criticam a escola elementar ou o ensino fundamental, ignorando suas primeiras séries. O chamado exame de admissão, em vigor até a década de 1960, aplicado pelos ginásios, selecionava os mais aptos, privilegiando alunos originários das classes dominantes. Esta rotina acabou transformando o ginásio numa escola de elite. Esta prática ainda continua, sub-repticiamente, a controlar tal seleção por meio das altas porcentagens de reprovações, ainda vigentes.

Por isso, só mesmo quem não esquece a história sabe que o Grupo Escolar e sua extensão, formada pelas Escolas Isoladas que atendiam alunos das três primeiras séries, não excluíam as camadas populares. Seus alunos, em sua maioria, eram habitantes da zona rural e da periferia das zonas urbanas, da mesma forma que, hoje, as primeiras séries do ensino fundamental abrigam,em sua maioria, crianças faveladas, geradas pelo êxodo rural.

Portanto, quando os críticos censuram a escola por ser elitista, estão se referindo objetivamente ao antigo ensino secundário, uma escola essencialmente urbana, cujo ensino não era obrigatório e cuja clientela, altamente selecionada por meio dos exames de admissão, disfarçando até preconceitos, se degladiava entre os mais aptos, submetendo-se a altas taxas de reprovação. Por outro lado, o ensino primário, por ser obrigatório, deveria atender toda a população infantil, a partir dos sete anos de idade. Quem foi professor primário conhece muito bem a clientela das Escolas Isoladas e dos Grupos Escolares, numa época, assaz recente, em que a maioria da população ainda habitava a zona rural.


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