Uma discussão sem-fim

A revista Educação e Pesquisa v. 32 n.1 jan.abr.2006 publicou um artigo questinando o Relatório final do Grupo de Trabalho – alfabetização infantil – os novos caminhos, publicado pela Câmara dos Deputados em 2003.

Depois de muitos argumentos contrários às afirmações expostas no referido relatório e, naturalmente, de outros tantos argumentos favoráveis as suas próprias idéias, os articulistas chegaram à recorrente conclusão, apontando os culpados de sempre: o professor e a escola. “Professores mal-formados, que escrevem tão igual quanto seus alunos, salários que podem levar a um descompromisso com o ensino, falta de acompanhamento e supervisão do trabalho do professor em sala de aula, falta de estrutura física e material nas escolas etc.”.

O tema sobre a existência, no ambiente escolar, de uma cultura característica, enfatizada pela sua típica realidade, ainda não foi estudado convenientemente. Nossos especialistas, com as vistas voltadas para teorias exóticas, primam pelo desconhecimento das experiências que se desenvolvem no âmbito das escolas, com suas especificidades e características próprias. A imposição de projetos pedagógicos, transformando professores em meros executores de tarefa, tornou-se quase obsessão dos teóricos em educação.

Para eximir-se da responsabilidade dos insucessos que, inevitavelmente, se sucedem na prática do ensino, fica sempre mais fácil e cômodo culpar o professor “mal-formado e mal-pago” e ainda a “escola desestruturada”. Justamente por não poder cruzar os braços na solidão da sala de aula, pois não há como ignorar os alunos postos sob sua responsabilidade, há uma busca constante por conhecimentos que dizem respeito à educação e ao ensino. Entretanto, exclusivamente o professor, com a prática experienciada na sala de aula, poderá especificar, discutir e eleger aqueles conhecimentos que possam ajudá-lo, de fato, em seu fazer quotidiano.

Esta liberdade de escolha é fundamental para que as diversas teorias sejam aceitas e assimiladas convenientemente.

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