Ah! Como é bom ignorar o passado…

O Governador de São Paulo, José Serra, fez algumas declarações como se elas fossem a “última palavra” ou algo surpreendentemente novo, sobre educação e ensino.

A secretaria da Educação em publicação recente determinou que as notas de avaliação dos alunos deveriam ser arredondadas para cima, como uma providência relativa às mudanças na prática da chamada “progressão continuada”.

O Governador, então, achou irrelevante tal providência, desde que no sistema educacional, em seu Estado “não há repetência, mas os alunos que não puderem prosseguir pertencerão a classes especiais de recuperação. Este é um avanço imenso”.

Além disso, ao falar dos “avanços que sua gestão vem fazendo na área educacional” ele citou a mudança na avaliação da progressão continuada, cuja “avaliação vai ser feita a cada dois anos e não mais em quatro, como ocorre hoje”.

Para não passar por personagem redicula, o senhor Governador deveria consultar qualquer professor ou professora que trabalhram há alguns anos atrás. Ele ia ficar sabendo que, embora houvesse reprovações, a preocupação pelos “alunos que não podiam prosseguir” é tão velha quanto a idade da escola. Justamente por isso, as “classes de recuperação”, com esse nome, foram criadas na reforma do ensino, na década de 1960 e, com um nome diferente (a divisão em secções – A,B,C) desde o tempo do Império!!! De acordo com a cronologia da história, pois, parece que seria mais um “imenso recuo” do atual governo.

Da mesma forma, com relação ao “grande avanço” na redução do tempo na avaliação de alunos, o Governador iria tomar conhecimento que, na mesma reforma da década de 1960, a avaliação já era feita de dois em dois anos. Foi justamente a imposição da progressão continuada que aumentou para quatro anos. Infelizmente, é costume neste infeliz País, ignorar a história da educação e do ensino quando algum especialista ou governador pretendem mudá-la (quase sempre para pior!!!!) A avaliação do passado é muito importante para que, a cada reforma, não se comece tudo de novo… (inclusive as situações que não deram certo).

Eis, um bom conselho: coloque entre seus acessores algum professor aposentado que tenha sido testemunha do passado, para discutir com os especialistas de plantão!

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