A que escolas se referem, os críticos?

             Em um contexto escolar, as atividades daquele que ensina, os conteúdos e procedimentos daquilo que é ensinado e os alunos aos quais o ensino se dirige constituem um objeto integrado e complexo, com dinâmicas tão específicas e peculiares que a eventual descontextualização de um ou mais de seus elementos pode obnubilar ou impedir a compreensão, ainda que elementar, desse fenômeno e das relações que o constituem.
            As críticas generalizam uma escola tradicional, descrevendo-a como centrada em um professor cuja aula se caracteriza pelo verbalismo e imposição de sua autoridade. Essas pretensas descrições da escola e das práticas tradicionais apresentam, na verdade, uma caricatura das instituições escolares. Elas são incapazes de distinguir entre os inúmeros e diferentes recursos de que os professores, em sua ação concreta, lançam mão para expor, explicar, corrigir ou atribuir tarefas, ao ensinar seus alunos. 
É pouco provável que as práticas desses professores, ditos tradicionais, ao ensinar as várias disciplinas, sejam sempre as mesmas e que a compreensão de seus atos e recursos possa ser lograda pela simples referência a conceitos vagos, como um pretenso verbalismo conjugado à autoridade de sua palavara.
           Ao dar uma aula, mesmo que predominantemente expositiva, escreve J.S.F. Carvalho, um professor faz muito mais do que transmitir informações. “Além de ensinar a matéria codificada, transmite à criança valores, modos de interpretar fatos sociais e estereótipos de comportamento, de acordo com as formas de sua cultura”. Os procedimentos verbais de um professor fornecem não apenas informaçõees, mas uma série de outros elementos constitutivos dos conhecimentos, da capacidade ou das habilidades que deseja desenvolver em seus alunos.
           Finalmente, sem conseguir o tempo e o espaço suficientes para alcançar os “altos objetivos” ditados pelos doutos especialistas, os professores não têm outra alternativa senão continuarem a enriquecer suas experiências, na solidão da sala de aula, como participante ativo dos relacionamentos que formam e estruturam a cultura escolar, com o esforço e a boa vontade de sempre, assimilando e adaptando as teorias propostas, alegrando-se com os sucessos e aprendendo com os fracassos. 

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