Ao analisar a escola, em sua evolução histórica, evidencia-se que o ensino fundametal (1ª a 8ª ou 9ª séries) se divide em duas escolas diferentes: uma de 1ª a 4ª séreies (o antigo ensino primário) e outra de 5ª a 8ª ou 9ª séries (o antigo ginásio).
Essa separação continua viva, mesmo depois a experiência malograda, proposta pelo governo militar e sua reincidência na atual LDB. O governo Mario Covas, muito bem assessorado, percebeu tal desencontro e separou, acertadamente, as duas escolas, em prédios próprios.
Todavia, os críticos continuam a analisar o ensino fundamental como se fosse uma única escola, mas pelo viés da atuação do antigo ginásio.
Isso ficou deveras expresso em um artigo da ex-secretária da educação de São Paulo, Rose Neubauer, publicado na Folha de Sâo Paulo, em 07/10/2000, no qual ela afirma que “o bom professor, pasme, era aquele que reprovava muitos alunos. O saber era propriedade de uma elite. O caminho para atingi-lo era o mais inóspito possível”.
Entretanto, colocar o antigo ensino primário paulista na mesma situação é, no mínimo, ignorância ou desprezo pela história de uma instituição, na qual, o status da professora era medido pelo número de alunos aprovados. Além do mais falar em saber como “propriedade de uma elite”, é também ignorar a obrigatoriedade do ensino primário que, até há pouco tempo, era ministrado em escolas, em sua maioria, instaladas na zona rural, onde os alunos aprendiam a “ler, escrever e contar”, graças ao esforço de professores e professoras que tinham a coragem de enfrentar as condições desfavoráveis, da época.
É deveras lamentável que uma Secretária de Educação ignore um recente passado que poderia ser descoberto com a simples leitura de textos do professor Azanha. Aliás, a ex-secretária citou o nome deste professor, em seu artigo, mas, com toda certeza, não leu o trecho a seguir (do livro Educação-Alguns Escritos, nacional, 1987):
“A resistência do magistério secundáriio foi de tal ordem que obrigou a Administração a providência radical, na época extremamente combatida, de responsabilizar o professor pela reprovação do aluno – uma coisa banal que, na escola primária, sempre havia sido feita. (…) No final de 1968, os indices previstos de reprovação no ginásio eram de mais de 80%, na primeira série, ou seja, aquilo que era uma Política de Educação estava sendo pedagógica e equivocadamente anulado no âmbito da escola. Para corrigir essa situação, a Administração lançou mão de uma medida radical, na época, que foi a de atribuir pontos por alunos aprovados, que pesavam na futura escolha de aulas pelo professor. Isso sempre ocorreu no ensino primário. Não era medida inédita no Estado de São Paulo, era inédita no ensino secundário”. (Os grifos são meus).