Estágio que virou Residência!

Ao tomar conhecimento de nova legislação sobre estágios, Claudio M. Castro anota que há aqueles que acusam o estágio “como forma de emprego a baixo custo ou empregos simplórios para estudantes”. Entretanto, além de financiar os estudos, o trabalho realizado nos estágios permite-lhes muito aprendizado útil.
O autor descreve bem o que aconteceu também com os chamados “substitutos efetivos” que, no antigo ensino primário, estagiavam nos Grupos Escolares,  quando foram dispensados por argumentos semelhantes.
Pelo que se deprende, continua o autor, autores de tais propostas “nunca entraram em uma empresa e jamais entenderam a lógica do aprender fazendo, mais velha e tão respeitável quanto a escola”.
Felizmente, parece que houve mudanças na mentalidade dos legisladores. Um projeto de lei que tramita no Senado cria uma residência para professores, nos moldes da residência médica, como prática em sala de aula, após a formatura.
Com certeza, alguém deve ter assoprado, ao senador que apresentou a proposta, que essa prática já existia desde o tempo do Império e vigiu até a década de 1960, quando os chamados “substituos efetivos” que estagiavam nos Grupos Escolares, do antigo ensino primário, foram simplesmente dispensados, pois “se descobriu” que eles estavam sendo explorados, pois não recebiam nenhuma espécie de salário. O prejuizo causado por esta providência mostra perfetamente bem que seus autores nunca entraram em alguma escola pública e “jamais entenderam a lógica do aprender fazendo, mais velha e tão respeitável quanto a escola”.
Oxalá, a escola possa revigorar a prática do antigo ensino primário, com a mudança dos nomes, de estágio para residência e o pagamento, como prevê o projeto, de uma bolsa para os formandos, durante o período de residência!

Uma resposta para “Estágio que virou Residência!”

  1. Mirabeau Andrade Disse:

    Os artigos do Cláudio são sempre revestidos de uma propriedade muito grande, pois percebo que o mesmo consegue apreender a “vivência” de cada assunto que comenta.
    Sou professor desde 1972 e desde então já fui oficial do Exército (AMAN), e sou Empresário, Professor e Consultor Empresarial, (Presidente da Associação Comercial de Eunápolis-BA).
    Vejo com preocupação dos dois lados (professor/empresário) os políticos que não sabem o que acontece no Brasil, se arvorarem “corregedores” da situação de estágios.
    Para a micro empresa e empresa de pequeno porte, principalmente, uma forma menos onerosa de conquistar Recursos Humanos de qualidade, para o estudante e suas famílias uma poderosa estratégia de sobrevivência e para a escola, que infelizmente não está muito preocupada com isto, uma magnífica oportunidade de observar a Contextualização Sócio-cultural dos conteúdos ensinados em sala de aula, atendendo as prescrições da busca dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs).
    Muito Obrigado Cláudio. Você que tem credibilidade deve falar mais para ver se nossos políticos acordam.
    Diga-lhes, que deveriam fiscalizar a relação trabalhista regida pela CLT. Na minha cidade, enquanto o Ministério do Trabalho se preocupa se o estagiário pode ou não “varrer o chão da loja”, a maioria dos empregados do comércio estão nas empresas sem sua carteira assinada, mudos de pavor de serem mandados embora da “relação escravista”.

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