Qual Escola?

Segundo a descoberta de H.G. de Castro, atual Secretária de Educação do governo de São Paulo, em entrevista à Revista VEJA de 13 de fevereiro de 2008, culpar o estado  por todos os males da escola é “uma visão atrasada”, no Brasil.. “Não acho razoável que o professor nunca tenha nenhuma responsabilidade sobre o resultado final de seus alunos”.

Para refrescar a memória da senhora Secretária, uma pesquisa coordenada por Tereza Peres, realizada pela Fundação SM Organização dos Estados Ibero-americanos, indica que “temos de fugir da tendência de culpar ou paternalizar os professores. É preciso dar condições de trabalho e compromissá-los com a eficiência do processo pedagógico”. Além disso, os dados obtidos em entrevista com professores sugerem que a “progressão continuada” pode ser um dos fatores determinantes da falta de esforço e pouca responsabilidade dos estudantes.

A senhora secretária, na verdade, faz coro com os críticos de plantão, focando os professores das séries finais do ensino fundamental, porque, na realidade, eles, diferentemente dos professores das primeiras series, nunca tiveram “responsabilidade sobre o resultado final de seus alunos”. No antigo ensino secundário e, agora, no ensino fundamental de 5ª a 8ª séries, esta é uma velha questão recorrente e, ainda, não resolvida.

Na década de 1960, a resistência dos professores do ensino secundário, diante do ingresso maciço de crianças na escola secundária que, naquele instante, era um problema de policia educacional e de democratização da educação, fez com que a administração Ulhoa Cintra, se propusesse “a responsabilizar o professor secundário sobre o resultado final de seus alunos”.Para tanto, lançou-se mão de duas medidas radicais, na época, extremamente combatidas:responsabilizar o professor pela reprovação do aluno – uma coisa banal que, na escola primária, sempre havia sido feita e atribuir pontos por alunos aprovados, que pesavam na futura escolha de aulas pelo professor. Isso sempre ocorreu no ensino primário. Não era medida inédita no Estado de São Paulo, era inédita no ensino secundário”. AZANHA, J.M.P. educação  alguns escritos, Nacional, 1987. (Os grifos são meus).

Havia também uma outra diferença fundamental. O compromisso assumido pelo antigo professor primário, perante seu trabalho pedagógico, ou seja, a “responsabilidade pelo resultado final de seus alunos”, tinha como recompensa, não só a atribuição de pontos na classificação dos concursos de ingresso e remoção, mas também o status de professor competente e valorizado nos relacionamentos com a comunidade. A  competição, amparada pela recompensa recebida, era acirrada e, como se vê, prescindia de remuneração pecuniária.

Tudo isso, portanto, vem confirmar, mais uma vez, que todos os problemas levantados a respeito de qualidade de ensino se concentram, principalmente, nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

 

 

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